Petrobras estuda antecipar retirada de plataformas maduras

Petrobras estuda antecipar retirada de plataformas maduras

A Petrobras estuda a antecipação do cronograma de retirada de algumas plataformas em campos maduros. O gerente geral de projetos de descomissionamento da Petrobras, Carlos Castilho, disse, na última terça-feira (31/03), que existe uma demanda grande por abandono de poços, etapa que antecede a retirada das plataformas desativadas. Ele estima que, a partir de 2028, haverá uma quantidade relevante de plataformas prontas para serem retiradas no Nordeste, com possibilidade de unidades da bacia Sergipe-Alagoas, onde estão previstos para os próximos anos dois novos FPSOs do projeto SEAP, em águas profundas.

O atual plano de negócios da companhia prevê investimentos de US$ 9,7 bilhões, entre 2026 e 2030, para atividades ligadas ao descomissionamento em um total de 68 plataformas localizadas em águas jurisdicionais brasileiras (AJB). Desse total, 39 unidades estão no Nordeste, sendo 26 localizadas em águas rasas em Sergipe. Os investimentos previstos para essa atividade no estado são da ordem de US$ 2,6 bilhões em cinco anos.

A carteira de descomissionamento da Petrobras prevê a remoção de 18 plataformas até 2030 e outras 50 após 2031, com o recolhimento de aproximadamente 1.800 quilômetros de linhas flexíveis e o abandono de mais de 500 poços, cerca de 200 deles no Nordeste. Castilho destacou que são cerca de US$ 2 bilhões por ano em aportes para descomissionamento, dos quais 69% associados ao abandono de poços e 31% com equipamentos.

Para 2026, a Petrobras tem expectativa de retirar cinco plataformas, com destaque unidades que estão localizadas na Bacia de Campos. Uma delas é a P-37, que era para ter sido retirada em 2025, enfrentou dificuldades de acostamento e, segundo a companhia, já está pronta para sair.

Castilho contou que a empresa trabalha para antecipar, de 2027 para 2026, o FPSO Cidade de Santos, que é uma unidade afretada. Para 2027, estão previstos os processos das unidades P-18 (semissubmersível) e do FPSO P-47. Em 2028, deve ter início o descomissionamento da P-09 (semissubmersível). Nos anos seguintes, aparecem no plano atual as plataformas fixas 1 e 2 de Atum (2029) e, em 2030, as unidades de Agulha (1 e 3, ambas fixas), Espada (duas fixas) e Biquara (fixa).

A partir de 2031, serão mais 43 plataformas fixas. Em 2027, com a atualização do plano de negócios, aparecerão plataformas no Nordeste e, possivelmente, algumas unidades antecipadas para 2027-2028. “As empresas estão sendo consultadas e precisamos estar preparados para receber isso”, adiantou Castilho, que participou de um workshop sobre descomissionamento promovido pela FGV Energia, no Rio de Janeiro (RJ).

“O Nordeste já está aparecendo e a ideia é que apareça ainda mais. Nosso plano é antecipar a saída das plataformas. Estamos tendo uma visão mais robusta com a questão do abandono de poços, estamos tendo eficiência, então conseguimos controlar. Trabalhamos no planejamento para antecipar a saída com EPRDs”, contou Castilho. A sigla consiste no processo técnico de encerramento de atividades de plataformas e poços de petróleo offshore, por meio de quatro etapas principais: Engenharia, Preparação, Remoção e Disposição.

No evento, ele disse que já saiu uma RFI (request for information) perguntando ao mercado sobre possibilidade do EPRD de três plataformas no Rio Grande do Norte. “Ficamos satisfeitos com a consulta. Tivemos a indústria nacional e alguns fornecedores internacionais respondendo as perguntas, o que nos dá bastante robustez para poder antecipar ainda mais”, afirmou Castilho.

O gerente geral de projetos de descomissionamento da Petrobras relatou que havia uma preocupação de o mercado nacional não vir com bastante força, o que acabou não ocorrendo. “Estamos otimistas e a ideia é, com o mercado nacional chegando, podermos flexibilizar as contratações e tentar antecipar o mais rápido possível. Quem sabe Sergipe entra nessa onda e conseguimos antecipar e trazer plataforma para retirar em 2027″, projetou.

Fonte: Portos e Navios por https://pcfa.com.br/

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