ANP aprova parcialmente o projeto Sergipe Águas Profundas

ANP aprova parcialmente o projeto Sergipe Águas Profundas

Agência reguladora determinou a adequação das áreas de desenvolvimento de Agulhinha e Cavala em um único campo, assim como Palombeta e Budião Sudeste, de modo que o projeto SEAP contemple cinco campos – e não sete, como originalmente apresentado pela Petrobras

Por Ana Luisa Egues

A diretoria da ANP aprovou parcialmente, nesta segunda-feira (26), os Planos de Desenvolvimento (PDs) dos campos que compõem o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), operado pela Petrobras na Bacia de Sergipe. A agência reguladora determinou a adequação das áreas de desenvolvimento de Agulhinha e Cavala em um único campo, assim como Palombeta e Budião Sudeste, de modo que o projeto contemple cinco campos – e não sete, como originalmente apresentado pela estatal.

De acordo com a análise da área técnica da ANP, Agulhinha e Cavala derivam-se do mesmo contrato de concessão, assim como Palombeta e Budião Sudeste. Além disso, as informações geológicas atuais ainda não asseguram uma separação definitiva entre as áreas, uma vez que existem múltiplos reservatórios com grande incerteza em relação aos seus limites. Por fim, a possível produção de Agulhinha e Cavala será enviada para a mesma plataforma (SEAP I), e as quatro áreas compartilharão o mesmo gasoduto de exportação, tendo em vista que todo o projeto SEAP será interligado.

A Petrobras terá um prazo de 60 dias para apresentar os novos PDs. Além da aprovação parcial dos Planos, a diretoria da ANP também acatou o pedido de prorrogação contratual da fase de produção de SEAP I e de SEAP II, para 31 de dezembro de 2057 e 31 de dezembro de 2055, respectivamente, totalizando 25 anos de produção para cada plataforma. O adiamento foi solicitado pela companhia tendo em vista os sucessivos insucessos nas licitações para a contratação dessas unidades que, consequentemente, ocasionaram as postergações no início estimado para o primeiro óleo.

“A análise técnica [da ANP] demonstra ganhos significativos com a prorrogação adicional, de aproximadamente US$ 1,4 bilhão em participações governamentais e tributos, assim como incremento de 14,5% na recuperação de hidrocarbonetos, correspondente a cerca de 170 milhões de barris de óleo equivalente adicionais”, afirmou o diretor-relator, Pietro Mendes, durante a reunião.

Sergipe Águas Profundas

A Petrobras planeja desenvolver o projeto SEAP em duas fases, com a instalação de dois FPSOs com capacidade de produção de 120 mil de bpd de óleo e até 12 milhões de m³/dia de gás. O projeto também inclui a construção de um gasoduto, com capacidade de exportação de 10 milhões de m³/dia de gás tratado. “É uma oferta de gás significativa e fundamental, tendo em vista o declínio que tem sido observado da Bolívia para o nosso abastecimento de gás natural”, disse Pietro durante a reunião.

O primeiro FPSO (SEAP II) está em fase de análise das propostas, e possui entrada em operação prevista para 2030. Já o segundo FPSO (SEAP I) é uma opção no processo de contratação do SEAP II, e possui entrada em operação prevista para 2032.

O desenvolvimento inicial contempla oito poços produtores e oito poços injetores para SEAP I, e 11 poços produtores e cinco injetores para SEAP II. Ao todo, o projeto deverá ser desenvolvido a partir de cinco reservatórios principais, de óleo leve, de densidade de 38° a 46° API.

As primeiras versões dos PDs do projeto foram apresentadas pela Petrobras em 2022. A ANP recusou os Planos, considerando a postergação injustificada dos FPSOs, a ausência de compromissos firmes quanto aos upsides identificados e o descompasso com os critérios de definição de campo estabelecidos na legislação, segundo a agência. Os novos PDs foram apresentados pela Petrobras em abril de 2025, com a inclusão do pedido de prorrogação contratual das concessões.

Fonte: Brasil Energia por https://pcfa.com.br/

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