P-35 atracou em base naval no RJ
A plataforma P-35 atracou, recentemente, na Base Naval da Ilha das Cobras (BNIC), localizada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ). A unidade é do tipo FPSO e possui mais de 330 metros de comprimento. A operação, que durou cerca de 15 horas, envolveu técnicos da Petrobras, da Marinha do Brasil e da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron).
Com mais de 20 anos de operação, a P-35 foi uma das plataformas offshore selecionadas pela Petrobras para avaliação sobre a viabilidade de passar por processo de reaproveitamento, em vez de seguir para desmantelamento. A unidade foi instalada no ano de 1997, no campo de Marlim, na Bacia de Campos, onde operava em lâmina d’água de 900 metros, com capacidade de produzir até 84 mil barris por dia.
Procurada pela Portos e Navios, a Petrobras informou que a P-35 desancorou da Bacia de Campos para ser acostada temporariamente no Arsenal da Marinha, na Baía de Guanabara, onde passará por alguns processos como limpeza de bioincrustação do casco, retirada de flare e remoção de efluentes do tanque. A empresa ainda não confirmou qual será o próximo destino da unidade. “A companhia está estudando alternativas para a plataforma após o fim destes processos”, afirmou a Petrobras em nota.
De acordo com a Petrobras, o ‘hook out’ (desacoplagem) do sistema de ancoragem da P-35 contou com suporte de nove barcos de apoio offshore do tipo AHTS (manuseio de âncoras). Entre as empresas de apoio marítimo que participaram da operação estão a Bram Offshore (EUA), a CBO (Brasil) e a DOF (Noruega).
Essa operação, considerada uma das etapas mais desafiadoras, foi concluída no último dia 25 de abril, após 18 dias de atividades envolvendo a retirada de mais de 6,5 quilômetros de cabos, 10 km de amarras e 90 acessórios, totalizando cerca de 2.734 toneladas de equipamentos submarinos. A Petrobras destacou que a retirada desses sistemas ocorreu em um cenário de alta demanda operacional, com a ancorangem atuando simultaneamente em múltiplas frentes e realizando ao mesmo tempo hook out em duas unidades.
Atracação
A Emgepron avaliou que a atracação na BNIC foi inédita e exigiu grande precisão técnica e integração de alto nível junto à operadora, à autoridade marítima e a parceiros estratégicos. “Demonstramos a capacidade de nossa infraestrutura no Rio de Janeiro em gerenciar ativos de grande porte e manobras de altíssima complexidade logística”, destacou a Emgepron em nota.
A empresa acredita que essa experiência a colocou como peça-chave na agenda de descomissionamento sustentável da Petrobras, além de consolidar a BNIC como um ‘hub industrial de excelência’. “Ao conectar a capacidade operacional militar às demandas estratégicas do setor privado, fortalecemos a Base Industrial de Defesa (BID) e a Economia do Mar, reafirmando o papel da engenharia nacional na entrega de soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e a soberania do Brasil”, afirmou a Emgepron.
O professor Newton Narciso Pereira, coordenador geral do Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis da Universidade Federal Fluminense (CESS/UFF), avalia que no Brasil existe uma carência de infraestruturas capazes de atender o mercado de acostamento temporário de plataformas, apoiando as atividades de descomissionamento offshore e reciclagem de grandes estruturas marítimas, como plataformas de petróleo.
Atualmente, a P-32 está sendo desmantelada no Estaleiro Rio Grande (RS) e duas plataformas (P-33 e P-26) estão acostadas no Porto do Açu (RJ).
Nota da Redação: Matéria atualizada 15/05/2026 para acréscimo de informações encaminhadas pela Petrobras.
Fonte: Portos e Navios por https://pcfa.com.br/















