Estaleiros acompanham de perto regulamentação do Renaval

Estaleiros acompanham de perto regulamentação do Renaval

Em evento no Rio de Janeiro (RJ), Sinaval defendeu ajustes no dispositivo para garantir competitividade da indústria naval, que está com a carteira de projetos aquecida. Expectativa é que MDIC publique portaria regulamentando o regime em maio

Representantes de estaleiros acompanham de perto o processo de regulamentação do Regime Tributário para Incentivo à Atividade Naval (Renaval), criado no contexto da Reforma Tributária (LC 214/2025). Para o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), esse dispositivo é fundamental para defesa da soberania da indústria e da cadeia de fornecedores nacionais, com a manutenção de benefícios que deem competitividade a partir da transição gradativa das regras de tributação a partir deste ano.

O vice-presidente jurídico e de governança do Sinaval, Anderson Fajardo, contou que, nesta semana, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sinalizou que a regulamentação do regime deve ocorrer no mês que vem. O sindicato, uma das entidades que vêm apresentando contribuições ao governo federal, defende que a habilitação técnica do Renaval se dê com base em análises técnicas e objetivas, criando regras sólidas que afastem quaisquer influências de viés político ao longo das próximas décadas.

“Defendemos uma habilitação técnica, sem ‘politiquês’, que traga segurança e que dê um scoring real do estaleiro, entendendo quem está solicitando [o benefício]. (…) Estamos conversando [com o governo], convergindo em muitas coisas e estamos chegando muito perto de uma regulamentação do Renaval — bem provavelmente na primeira quinzena de maio”, afirmou Fajardo, nesta terça-feira (28), durante seminário sobre reforma tributária, promovido pelo Sinaval e pela Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (Abeemar), no Ibmec, no Rio de Janeiro (RJ).

Na última segunda-feira (27), o comitê gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aprovou o regulamento do imposto, que junto com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), irá substituir gradualmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A previsão é que esse regulamento do IBS seja publicado até a próxima quinta-feira (30/04).

No seminário, Fajardo ressaltou que é um momento importante de mobilização, no qual é preciso proteger a indústria naval. Ele lembrou que, durante as discussões para a aprovação da Reforma Tributária no Congresso, houve um grande esforço do setor junto ao Senado para resgatar os benefícios que ficariam de fora após a aprovação inicial do texto na Câmara. De volta à casa, os deputados aprovaram a versão com o Renaval.

Além do Renaval, os estaleiros possuem na pauta pontos visando a melhoria da competitividade, que passam em discussões como da implementação de regimes de patrimônio de afetação, de drawback intermediário e da possibilidade de adoção de um ‘Refis estadual’, a exemplo do adotado para renegociar dívidas de estaleiros de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O Sinaval estima que somente o programa ‘Mar Aberto’ do Sistema Petrobras, que abrange petroleiros, gaseiros e barcos de apoio marítimo, prevê R$ 23 bilhões em investimentos — volume que o setor não vivenciava desde 2007. O sindicato projeta que, até o final de 2026, o setor volte a ultrapassar a marca de 80.000 empregos, considerando as atividades nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul.

Fonte: Portos e Navios por https://pcfa.com.br/

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