Projeção de alta de 3,3% na movimentação de contêineres é modesta, avalia Solve
A movimentação portuária no Brasil vive o melhor momento da série histórica desde 2010, segundo os dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários divulgados nesta semana. A Antaq apurou movimentação de 1,4 bilhão de toneladas em 2025, 67% de expansão nos últimos 15 anos, com crescimento mais acentuado na movimentação de contêineres. Esse segmento, no entanto, apresenta um dos principais desafios para o planejamento setorial: o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Apesar do crescimento da economia, desde 2013 não é inaugurado um novo Tecon na costa brasileira.
A Antaq projeta uma movimentação de 15,8 milhões de TEUs em 2026, acréscimo de 3,3% (+500 mil TEUs) em relação aos 15,3 milhões de TEUs movimentados no ano passado. Pela projeção da agência, a movimentação desses equipamentos atingirá 18 milhões de TEUs em 2030. Nos últimos 15 anos, o crescimento na movimentação dos boxes foi de 125%, partindo de 6,8 milhões TEUs, em 2010, para 15,3 milhões de TEUs em 2025.

Para a Solve Shipping, a taxa de crescimento anual prevista pela Antaq é ‘modesta’ em relação ao experimentado ao longo das últimas décadas, inclusive considerando a resiliência do setor durante as crises internacional (2008) e a nacional (2016), a guerra comercial Estados Unidos x China (2018), além da pandemia Covid-19 (2020) e dos impasses no Mar Vermelho (2024) e o “Tarifaço” (2025).

“Esses 3,3% sugerem uma taxa de crescimento anual muito mais modesta do que a observada nas últimas décadas, quando fomos afetados por uma sequência de grandes crises. A movimentação portuária no Brasil cresceu 10% ao ano de 2000 a 2020”, analisou o sócio-consultor da Solve, Leandro Carelli Barreto, em entrevista à Portos e Navios.
Levantamento recente da Solve identificou portos de diferentes regiões do país que, em 2025, ultrapassaram os 65% de utilização de berço recomendados como limite pela OCDE. Entre eles estão: Itapoá (SC), com taxa de utilização em 89%, Paranaguá (84%), Suape (81%), Tecon Santos (79%), Navegantes (76%), BTP (74%) e DP World (72% ).

O cenário ideal desenhado pela Antaq prevê um acréscimo de 6,5 milhões de TEUs/ano de capacidade instalada, a ser atingida com investimentos no longo prazo, em áreas que o governo pretende licitar em 2026, sendo 3,25 milhões de TEUs/ano do Tecon Santos 10 (SP) e 1,5 milhão TEUs/ano no Porto de Itajaí (SC) — ITJ01. O cálculo inclui ainda áreas com capacidade de 1,35 milhão TEUs/ano no Porto de São Sebastião (SP) — SSB01 e de 400 mil TEUs/ano no Porto de Fortaleza (CE) — MUC04.
O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, reconheceu que é necessário aumentar e fortalecer a capacidade e a disponibilidade da infraestrutura brasileira para garantir esse aumento de capacidade para a movimentação de contêineres. “O setor privado tem respondido bem ao ambiente de negócios criado pelo Estado brasileiro, mas o aumento da produtividade e da eficiência tem limite”, afirmou durante a apresentação dos números da movimentação portuária em 2025, na última terça-feira (10).
Ele também chamou a atenção para a necessidade de melhoria dos acessos para que o setor privado continue respondendo com eficiência e produtividade. Dias citou o primeiro leilão de concessão da dragagem do canal de acesso aquaviário à iniciativa privada realizado para o Porto de Paranaguá (PR) no ano passado, que será replicado em outros portos. O processo de Itajaí encontra-se em análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e o de Santos está prestes a entrar em consulta pública. Completam a lista as concessões do serviço para Rio Grande (RS) e para Salvador (BA). “A avaliação de acessos aquaviários e terrestres na nossa agenda de estudos”, ressaltou.
O diretor-geral também associou o aumento da movimentação portuária à crescente participação dos terminais de uso privado (TUPs) no setor de contêineres, passando de 15% de share, em 2010, para 35% em 2025. Ele destacou que somente os TUPs Porto Itapoá (SC), DP World Santos (SP) e Portonave (SC) movimentaram 3,5 milhões de TEUs em 2025. “É fundamental o Estado criar condições para responder a esse desafio que o setor privado está nos demandando. Os portos não podem ser o gargalo do crescimento do país e tenho confiança que o setor portuário tem condição de responder a esse desafio”, afirmou Dias.
Fonte: Portos e Navios por https://pcfa.com.br/















